Artigo editorial
Uma conversa sobre odontologia, autoestima e cuidado
O Podda Preta é o podcast apresentado por Ruth Lopes, jornalista e comunicadora reconhecida pela profundidade com que conduz conversas sobre temas cotidianos, saúde, comportamento e cultura. Em cada episódio, o programa transforma pautas complexas em diálogos acessíveis — e é justamente essa proposta que aproximou a apresentadora do universo clínico do Dr. Hugo Robertson.
Com mais de 35 anos de prática clínica em Implantodontia, Prótese e Reabilitação Oral, o Dr. Hugo foi convidado a participar do episódio 09 para conversar sobre um assunto que atravessa gerações: a relação entre saúde bucal, autoestima e qualidade de vida. A entrevista percorre desde os fundamentos da odontologia preventiva até as tecnologias que hoje redefinem a forma como pacientes recuperam sorriso, mastigação e confiança.
A missão do Dr. Hugo na odontologia
A conversa começa por um ponto central da carreira do Dr. Hugo: a compreensão de que a odontologia não se resume à técnica. Cada dente, cada implante e cada prótese existem dentro de uma pessoa — com hábitos, história, expectativas e tempo próprios. Essa perspectiva orienta o modo como o consultório é conduzido: escuta atenta antes do diagnóstico, planejamento antes do procedimento e continuidade após a entrega do tratamento.
Ao longo de mais de três décadas, essa maneira de trabalhar consolidou uma prática que combina rigor clínico com um olhar humano. Não se trata apenas de resolver um problema pontual, mas de acompanhar pacientes por anos, revisando resultados, antecipando desgastes e ajustando condutas conforme a vida de cada um evolui.
Preservar os dentes naturais sempre que possível
Um dos temas mais enfáticos da entrevista é a defesa da preservação dos dentes naturais. Embora os implantes tenham revolucionado a reabilitação oral, nenhuma solução artificial reproduz por completo a biomecânica, a propriocepção e a integração biológica de um dente saudável. Por isso, o consultório do Dr. Hugo trabalha primeiro na tentativa de manter o que ainda pode ser mantido.
Tratamentos endodônticos bem indicados, terapia periodontal, controle de bruxismo e ajustes oclusais frequentemente evitam extrações. A conduta prioritária é sempre a menos invasiva possível dentro do que apresenta prognóstico favorável — e quando a extração é necessária, ela deixa de ser um fim em si e passa a ser uma etapa dentro de um plano de reabilitação maior.
O que é o Protocolo de Carga Imediata
Muito citado no episódio, o Protocolo de Carga Imediata é uma técnica que permite instalar uma prótese fixa sobre implantes no mesmo dia da cirurgia, em casos criteriosamente selecionados. O paciente sai do consultório com uma dentição provisória funcional, evitando o período em que precisaria conviver sem dentes ou apenas com uma prótese removível.
O sucesso desse protocolo depende de fatores como qualidade óssea, estabilidade primária dos implantes, planejamento digital prévio e uma prótese confeccionada para distribuir as cargas de maneira equilibrada. Não é uma técnica indicada para todos os pacientes no primeiro momento — em algumas situações, uma etapa preparatória garante um resultado mais previsível a longo prazo.
Como a reabilitação oral transforma autoestima e qualidade de vida
Ruth Lopes conduz parte da entrevista para um território que costuma emocionar: o impacto emocional de recuperar um sorriso. Pacientes que passam anos evitando falar, sorrir em fotos ou mastigar em público relatam mudanças que ultrapassam o espelho. Reencontram uma disposição para se relacionar, para se alimentar melhor e para se apresentar profissionalmente com mais segurança.
O Dr. Hugo ressalta que o objetivo nunca é entregar um sorriso padronizado, mas devolver o sorriso que faz sentido para aquela pessoa — respeitando idade, expressão facial, formato dos lábios e traços individuais. A reabilitação oral, quando bem planejada, é um processo de reconstrução funcional e simbólica ao mesmo tempo.
Mitos e verdades sobre implantes dentários
A entrevista aproveita para desfazer confusões comuns. Implantes não "rejeitam" no sentido imunológico com que se popularizou o termo — o que pode ocorrer é a falha na osseointegração, um processo biológico influenciado por fatores locais e sistêmicos. Diabetes descompensada, tabagismo intenso e higiene inadequada estão entre as variáveis que mais interferem.
Outro ponto: implantes não têm "prazo de validade" fixo. Com manutenção periódica e uma prótese bem confeccionada, podem acompanhar o paciente por décadas. O que exige cuidado contínuo é o tecido ao redor — a peri-implantite é uma das principais causas de perda tardia e pode ser prevenida com acompanhamento regular.
Clareamento dental: café, vinho e os principais mitos
O tema clareamento aparece como um dos favoritos do público. O Dr. Hugo explica que café, vinho tinto, chá preto e outros líquidos pigmentados podem, sim, alterar a coloração dos dentes ao longo do tempo, principalmente em esmaltes mais permeáveis. Mas isso não significa proibição — significa adotar hábitos que reduzam o contato prolongado e manter revisões periódicas.
Quanto ao clareamento em si, quando indicado e supervisionado por cirurgião-dentista, ele não enfraquece o esmalte. Pode provocar sensibilidade transitória em algumas pessoas, controlada com produtos dessensibilizantes e ajustes na concentração ou tempo de uso. O que o Dr. Hugo desencoraja são os clareamentos feitos sem avaliação clínica prévia, vendidos como "milagre estético".
Facetas, lentes de contato dental e odontologia estética
Facetas e lentes de contato dental também são discutidas com cuidado. Ambas são peças cerâmicas cimentadas na face vestibular dos dentes; as lentes são mais delgadas e exigem preparo mínimo, enquanto as facetas convencionais podem demandar um desgaste um pouco maior conforme o caso clínico. Nenhuma das duas é uma solução universal.
O Dr. Hugo defende que a odontologia estética responsável parte de um diagnóstico funcional. Um sorriso desenhado sem considerar oclusão, articulação temporomandibular e proporção facial pode ser bonito no primeiro dia e problemático no primeiro ano. O planejamento digital, os enceramentos diagnósticos e o mock-up prévio existem para que o paciente visualize e aprove o resultado antes de qualquer preparo definitivo.
A importância da manutenção dos implantes
Se há uma mensagem que atravessa toda a entrevista, é esta: a longevidade de qualquer tratamento depende da manutenção. Implantes bem instalados podem falhar por falta de acompanhamento; próteses bem confeccionadas podem se desgastar antes do previsto por sobrecarga não corrigida. Consultas periódicas permitem avaliar a saúde peri-implantar, ajustar contatos oclusais, revisar próteses parafusadas e reforçar a higiene específica.
O Dr. Hugo trata a manutenção como parte do próprio tratamento, e não como um serviço adicional. Cada retorno é uma oportunidade de identificar mudanças precoces e de prolongar o resultado que o paciente conquistou.
Tecnologia e evolução da odontologia moderna
A entrevista encerra com um panorama sobre o quanto a odontologia mudou nas últimas décadas. Scanners intraorais substituíram grande parte das moldagens tradicionais, tornando o processo mais confortável e preciso. Tomografias de feixe cônico permitem planejar cirurgias com margem milimétrica. Softwares de planejamento digital antecipam o resultado protético e orientam guias cirúrgicos que aumentam a previsibilidade do ato operatório.
O Dr. Hugo reforça, porém, que a tecnologia é meio, não fim. Ela amplia o que um bom diagnóstico e um bom plano podem fazer — mas não substitui o raciocínio clínico. É a combinação entre experiência acumulada e ferramentas contemporâneas que faz a diferença na cadeira odontológica.

