Quem tem implante dentário pode fazer ressonância magnética?

Por Dr. Hugo Robertson · 12 de setembro de 2026

Essa dúvida aparece com frequência no consultório, em geral quando o paciente recebe o pedido de uma ressonância magnética e lembra que tem implantes na boca. A resposta curta é que a presença de implantes dentários de titânio, na prática clínica atual, não impede a realização do exame. Vale entender por quê, e quais são os pontos de atenção reais.

Por que o titânio não impede o exame

A ressonância magnética usa um campo magnético intenso associado a ondas de radiofrequência. O risco clássico está em materiais ferromagnéticos, que são atraídos pelo campo e podem se deslocar ou aquecer. O titânio e suas ligas usadas em implantes odontológicos são considerados não ferromagnéticos, ou seja, não sofrem atração significativa pelo campo do aparelho.

Por isso implantes osseointegrados, além de estarem firmemente ancorados no osso, não se movimentam durante o exame.

O ponto de atenção verdadeiro: o artefato de imagem

O que realmente pode acontecer é a formação de artefatos, distorções localizadas na imagem ao redor do metal. Isso importa pouco em uma ressonância de joelho ou de coluna lombar, mas pode importar em exames de cabeça e pescoço, principalmente quando a região de interesse fica próxima da arcada.

O radiologista tem recursos para reduzir esse efeito, ajustando sequências e parâmetros do exame. Para isso, ele precisa saber que os implantes existem. Informar antes evita repetição de exame.

O que informar antes da ressonância

Ao preencher o questionário de segurança do serviço de imagem, vale declarar:

  • Quantidade e região dos implantes dentários.
  • Presença de próteses removíveis, que geralmente são retiradas antes do exame.
  • Uso de aparelhos ortodônticos fixos, que podem conter ligas diferentes do titânio.
  • Presença de barras, parafusos ou placas de cirurgias maxilofaciais anteriores.
  • Outros dispositivos no corpo, como marca-passo, clipes vasculares ou implantes cocleares, que seguem protocolos próprios.

Se houver dúvida sobre o material de algum componente, o relatório do tratamento ou a ficha clínica do consultório costuma trazer a identificação do sistema utilizado. Na Odontoclinic Vila Mariana esse registro fica no prontuário do paciente e pode ser solicitado pela página de contato.

E as próteses e coroas?

Próteses removíveis e overdentures devem ser retiradas antes do exame, tanto por segurança quanto para evitar artefatos. Coroas cimentadas sobre implantes e próteses fixas permanecem, pelo mesmo motivo dos implantes: estão fixas e são feitas de materiais compatíveis. As diferenças entre os tipos de peça estão explicadas no artigo sobre prótese sobre implante.

Tomografia, radiografia e ressonância não são a mesma coisa

Vale separar os exames, porque a confusão é comum:

  • Radiografia periapical e panorâmica usam raios X e são rotina no acompanhamento de implantes.
  • Tomografia computadorizada de feixe cônico também usa raios X e é o exame de escolha no planejamento cirúrgico, porque mostra volume ósseo em três dimensões.
  • Ressonância magnética não usa radiação ionizante e é indicada principalmente para tecidos moles, articulações e estruturas neurológicas.

No planejamento do implante, portanto, quem manda é a tomografia, não a ressonância. Isso está descrito nas etapas do tratamento no artigo sobre como é feito o implante dentário e na página de tecnologia da clínica.

Quando conversar com o dentista antes

Situações que merecem uma conversa prévia com quem acompanha o caso:

  • Cirurgia recente, com implante ainda em fase de integração.
  • Exame de cabeça e pescoço com suspeita em região próxima à arcada.
  • Presença de componentes de origem desconhecida, instalados em outro serviço.
  • Reabilitações extensas, como All-on-4 e implantes zigomáticos, em que o radiologista se beneficia de saber a extensão da reabilitação.

A decisão final sobre a realização do exame é do médico solicitante e do serviço de radiologia. O papel do cirurgião-dentista é fornecer a informação técnica sobre o que existe na boca do paciente. O Dr. Hugo Robertson atende em São Paulo e pode emitir esse relatório quando necessário, conforme a página onde atendo.

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Perguntas frequentes

Implante dentário atrapalha a ressonância magnética?
Implantes de titânio não são atraídos pelo campo magnético. Podem gerar distorções localizadas na imagem, principalmente em exames de cabeça e pescoço.
Preciso avisar que tenho implantes antes do exame?
Sim. Informar quantidade, região e tipo de reabilitação permite ao radiologista ajustar o exame e reduzir artefatos de imagem.
Preciso retirar a prótese antes da ressonância?
Próteses removíveis devem ser retiradas. Coroas e próteses fixas sobre implantes permanecem, pois estão fixas e são feitas de materiais compatíveis.
O implante pode esquentar durante o exame?
Aquecimento clinicamente relevante não é esperado em implantes dentários de titânio nos protocolos usuais de ressonância.
Retrato do Dr. Hugo Robertson

Dr. Hugo Robertson

Cirurgião-dentista, especialista em Implantodontia e Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista (UNIP). Possui publicação científica internacional na área de implantes e mais de 35 anos de experiência clínica. É responsável técnico pela Odontoclinic Vila Mariana, onde realiza planejamento digital, cirurgia guiada e reabilitações orais complexas.

CRO-SP 43.140

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