Peri-implantite: sinais, causas e tratamento
Por Dr. Hugo Robertson · 02 de agosto de 2026
Implantes não desenvolvem cárie, e isso gera uma impressão equivocada de que dispensam cuidado. O tecido ao redor do implante pode inflamar, e quando a inflamação avança para o osso, o quadro é chamado de peri-implantite.
Duas fases distintas
Mucosite peri-implantar
Inflamação limitada à gengiva, com vermelhidão, inchaço e sangramento à escovação, sem perda óssea. É reversível com controle de placa e limpeza profissional.
Peri-implantite
Quando a inflamação atinge o osso de suporte, há perda óssea progressiva, bolsa ao redor do implante, às vezes secreção e, em estágios avançados, mobilidade. A perda óssea não se recupera sozinha, o que torna o diagnóstico precoce decisivo.
Sinais que merecem consulta
- sangramento ao escovar ou usar fio ao redor do implante;
- gengiva vermelha, inchada ou dolorida na região;
- mau gosto persistente ou secreção;
- retração da gengiva com exposição de metal;
- desconforto ao mastigar ou sensação de mobilidade.
Mobilidade do parafuso da prótese e mobilidade do implante são coisas diferentes, e só a avaliação clínica com radiografia distingue as duas.
Causas e fatores de risco
O acúmulo de biofilme é o fator principal. Somam-se a ele:
- higiene insuficiente na interface entre prótese e gengiva;
- histórico de doença periodontal;
- tabagismo;
- diabetes sem controle, tema de diabetes e implante dentário;
- excesso de cimento retido em coroas cimentadas;
- prótese com contorno que dificulta a limpeza;
- sobrecarga de mordida e bruxismo;
- ausência de consultas de manutenção.
Como o tratamento é conduzido
- Diagnóstico. Sondagem, radiografia e, quando necessário, tomografia para medir a perda óssea.
- Controle da causa. Remoção de biofilme e cálculo, ajuste ou substituição da prótese quando ela impede a higiene, orientação individualizada de escovação e uso de escovas interdentais e irrigador.
- Tratamento não cirúrgico. Descontaminação da superfície com instrumentos apropriados e, em casos selecionados, antissépticos ou antimicrobianos.
- Tratamento cirúrgico. Em perdas maiores, acesso para descontaminação direta, com remodelação óssea ou tentativa de regeneração conforme o defeito.
- Manutenção. Retornos em intervalos definidos pelo risco individual.
A remoção do implante é considerada quando há perda óssea extensa com mobilidade, e nesses casos o plano segue para reconstrução, eventualmente com enxerto ósseo.
Prevenção
Higiene diária consistente, revisões periódicas, controle de doenças sistêmicas, redução do tabagismo e prótese desenhada para permitir limpeza. Orientações práticas estão em como cuidar do implante dentário.
O acompanhamento periódico faz parte do tratamento e pode ser realizado com a equipe da Odontoclinic Vila Mariana.
Conteúdo educativo. A conduta indicada depende de avaliação presencial.
Perguntas frequentes
- Quais os primeiros sinais de peri-implantite?
- Sangramento ao escovar, gengiva vermelha ou inchada ao redor do implante, mau gosto persistente e desconforto ao mastigar.
- A peri-implantite tem tratamento?
- Sim. O tratamento envolve controle da causa, descontaminação da superfície e, em perdas maiores, procedimento cirúrgico. A perda óssea já ocorrida nem sempre é recuperada.
- Como prevenir a inflamação ao redor do implante?
- Higiene diária com escovas interdentais e irrigador, revisões periódicas, controle de diabetes e redução do tabagismo.

Dr. Hugo Robertson
Cirurgião-dentista, especialista em Implantodontia e Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista (UNIP). Possui publicação científica internacional na área de implantes e mais de 35 anos de experiência clínica. É responsável técnico pela Odontoclinic Vila Mariana, onde realiza planejamento digital, cirurgia guiada e reabilitações orais complexas.
CRO-SP 43.140
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